
Sempre tive um olhar atento ao comportamento humano; uma curiosidade natural em entender o que move as pessoas e as diversas formas como elas podem se expressar. Eu amava ouvir sobre o modo de viver de cada um e imaginar os detalhes únicos de suas rotinas.
Essa vontade de compreender o outro ganhou forma e técnica quando mergulhei no universo do Cinema e Vídeo.
Foram dois anos e meio de estudos que, muito além das telas, abriram a minha mente para uma visão sistêmica: a capacidade de observar o todo e entender como cada detalhe se conecta. No meu trabalho e no meu dia a dia, essa formação me ensinou a roteirizar, a dirigir o olhar e a extrair a essência de uma narrativa potente. Eu amo ouvir e contar histórias — por que apagar esse sentimento?
Ao encontrar referências que ressoavam com o meu estilo, decidi resgatar esse desejo que estava adormecido. Quis trazer à tona toda essa energia e o olhar apurado para as minhas próprias telas. Percebi que não precisava de equipe; precisava apenas de uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.
Este “querer” foi se fortalecendo por conta de experiências marcantes que me moldaram:
– O aprendizado da ESCUTA em São Joaquim: Vivia em uma cidade como Florianópolis, mas passava várias férias em São Joaquim — no meio do mato, no meio da lavoura de batata. Minha avó ia de casa em casa conversar com vizinhos, parentes e conhecidos… e eu ouvia as suas histórias, o seu modo de ser e o seu dia a dia, que era muito diferente da cidade. Nessa época, eu tive o meu maior aprendizado de escuta.
– A prova de fogo no HOSPITAL: Viver sete meses em um hospital foi a prova de fogo de que eu conseguia habitar um local tão diferente, extraindo dali experiências que me fortaleceram. Conheci a fundo o dia a dia de um ambiente como esse e trouxe à tona a aptidão de “entrevistas e conversação”. Foi um período de aprendizado intenso no qual, de forma muito natural, simples e curiosa, comecei a entrevistar e analisar tudo ali: do comportamento pessoal às dinâmicas do lugar. Não como algo robótico, mas pensando no “presente” que Deus tinha me dado. Parecia que havia um propósito em estar ali… e como eu vivia no ócio que o hospital traz, com muita espera e necessidade de paciência, vi aquilo como uma oportunidade de evoluir pessoal e profissionalmente. Na época eu não enxergava tudo isso com clareza, mas sentia intuitivamente que precisava viver aquilo intensamente, com a curiosidade de querer saber mais e mais.
E aí eu pensei: POR QUE NÃO COMPARTILHAR ISSO COM AS PESSOAS?
Meu estudo no cinema me deu a técnica, mas a vida me deu a sensibilidade e a honra de estar dentro de cada história. Sinto que cada vivência, por mais cansativa ou desafiadora que tenha sido, trouxe um propósito: repassar esse olhar e essa conexão às pessoas.
Assim nasce o Canal Porta Aberta. Um convite para você entrar, observar comigo e perceber que, quando a porta se abre, o que antes passava despercebido ganha um novo e profundo sentido.
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